Prefeitos do Paulista e de Itapissuma apontam falta de recursos federais para os municípios

Cal Volia na Rádio Globo

Um orçamento com repasses federais mais restritos, porém, com obrigações cada vez maiores. Essa foi a principal queixa dos prefeitos de Itapissuma, Cal Volia (PSDB), e do Paulista, Júnior Matuto (PSB), apresentada durante o programa Em Foco da Rádio Globo 720 AM, comandado pelo apresentador Aldo Vilela na manhã desta segunda-feira (23).

De acordo com Cal Volia, a situação financeira no contexto nacional tem se complicado nos últimos anos, repercutindo diretamente nos municípios. “Estou há seis anos na prefeitura, e quando a gente faz um comparativo, vemos a escassez dos recursos do governo federal, principalmente nos últimos dois anos”, relatou. “Em Itapissuma temos 12 postos de Saúde da Família. Em 2010 o município bancava 30% das despesas e a União 70%. Agora, a situação se inverteu, nós bancamos 70% e a União 30%”, relata. “Manda a conta e não manda o dinheiro para pagar”, aponta o tucano.

Para Júnior Matuto, a atribuição de mais responsabilidades para os municípios é uma “estratégia do governo federal” para direcionar as cobranças da população aos prefeitos. “A presidenta (Dilma) não se posiciona, ela não dá uma palavra de consolo de autoestima, e tome medida, tome corte. Não solta nem um pacote de medidas pra contemplar os municípios”, reclama o socialista. “O governo aumenta piso do professor do agente de saúde, mas quem discute com as classes são os prefeitos”.

Arcando com cada vez mais despesas, os municípios tendem a se endividar. “Hoje, mais de 70% das prefeituras de Pernambuco estão no CAUC-Cadastro Único de Convênios (SPC dos municípios)”, afirmou o prefeito socialista. Com o “nome sujo”, as prefeituras não conseguem efetuar nenhuma parceria com a União, fonte majoritária de investimentos para os municípios. “Na semana passada regularizamos nossa situação no CAUC. É fazer isso e correr para Brasília para tentar um convênio, porque qualquer problema você já está no CAUC de novo”, conta Cal Volia.

No CAUC, os prefeitos perdem também a chance de conseguir verbas oriundas de emendas parlamentares. “Os deputados federais não vão estar botando emenda impositiva em município sujo no CAUC”, relata. Como Paulista não está no cadastro, consegue articular acordos com os parlamentares. Matuto conta que 16 dos 25 deputados pernambucanos no Congresso já ajudaram a prefeitura do Paulista por meio de emendas. “As contas estão justinhas, não tem sobra para investir se não arrumar parcerias. Nós já provamos que temos capacidade de execução”.

Do Diario de Pernambuco

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